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Crônicas Facepaint

Oxum

Sinto subindo a correnteza do corpo. Os pés imóveis, a atenção desperta. O peito comprimido das águas que me alimentam quase explode nos olhos em lágrimas. O pé esticado, deslizo a perna sobre a tua. Acaricio com maldade teu corpo, sem intenção alguma. Nenhuma que eu deixe claro. E a correnteza não para.

Sinto como um frisson, essa palavra meio sem sentido. Misturo desejo e amor. Misturo, e a força que sobe, já na cintura, esbarra no meu instinto e cai em cascata sobre a minha força. Quase não reajo. Simplesmente permito. Confesso que tem vezes que isso me excita, outras me irrita, mas em todas as vezes que me permite ser rio em teu corpo, deixando que a força da correnteza que em mim circula te invada e te faça respirar mais forte pelas curvas que fazemos juntos, eu flerto com a tua alma em segredo e em silêncio.

Apenas descrevo o que vai em mim, e sou a própria água, em sua força sedutora que contorna as pedras, vence as quedas. E o que vai em mim é multicolorido quando teu sol transpassa minhas águas bem no momento da nossa queda. Caímos, exaustos. E satisfeitos de amor.

Para Oxum, guerreira da minha alma, e para ti, meu arco-íris abençoado.