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Oxalá

Às vezes me pergunto sobre este mundo de expiação. Não são tantas as verdades que me vem à mente, mas muitas as perguntas. Pois muitos são os caminhos. Por qual trilhar, qual escolher? Não há espaço na imaginação para um Deus caridoso, que carrega seus filhos no colo e os entrega o paraíso? Mas há espaço para o Deus vingativo, filho da ira, amigo colorido da misericórdia. Pobres tolos que nós somos. Somos todos, e me incluo. Oxalá fez sua peregrinação, sua jornada, e estendeu sua luz sobre nós para que fizéssemos a nossa.

Que possam crescer as minhas crianças. Que possam escolher pela própria essência. Que se maturem. Que encontrem respostas às suas perguntas, mas que principalmente se façam perguntas. Se ei de estar na companhia da humanidade, que ela me faça realmente companhia um dia. Que possamos dialogar sem vitimismo. Que possa se entregar sem desconfiança. Que possa ser uma comigo. Por isso, peço que deixem crescer as minhas crianças, não deem a elas o paraíso sem merecimento. Por isso, peço que cuidem daqueles que estão às portas da cidade de Aruanda, para que não desistam logo no final do caminho. Por isso, peço, mas enquanto gritarem seus desejos a mim, não poderão ouvir os meus, e nessa conversa sem diálogo, fico eu como vilão, pois se for para ver crescer minhas crianças, assumo qualquer papel, mesmo que para isso tenha como o principal fator a paciência severa, ou até mesmo o amor disfarçado de ódio.