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Crônicas Facepaint

Iansã

Suspiros, sopros, desejos. Estou em meio a tantos sentimentos que me transbordo em tempestades. A senhora dos ventos me espera na Aruanda para levar meu sofrimento para longe. Me espera inquieta, retesando a testa e segurando a ansiedade. Por ela seriamos um só a correr o mundo, direcionando as marés, as nuvens, homens e mulheres fervilhantes de emoções.

Sinto o arrepio percorrer o corpo, devastando milimetro a milimetro a minha sanidade. Provocando minha loucura. Basta sentir o vento virar, a nuca estremece. Sei que vou usar os ventos para voltar à sanidade. Raios e trovões, como o rugido do leão marcando território. Minha consciência se entremeia a tua e posso sentir nos ossos a força com que me chama. Resisto bravamente, pois sei que ceder a ti é o mesmo que ceder a mim. Minha vontade intempestiva do agora, me fez refém. Sopra teu vento mais uma vez, para tirar o véu da minha face e me mostrar a beleza da natureza depois da tua passagem.