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Crônicas

Exu

Os caminhos entre o alto e o baixo são meu trajeto comum. Não há morada que não me permita a passagem, seja pela minha luz ou pela minha sombra. Ganho respeito pela minha verdade, não pela minha devoção. Há os que me temem, os que me idolatram. Ainda assim, eu prefiro estar com os que me respeitam.

Minha pele em transformação é um sinal da minha força e da minha fraqueza. Esse meu mimetismo animal é o mesmo que o teu. Apenas não o vês. Apenas isso.

Poderia te encaminhar às estrelas ou às trevas, mas apenas respeito teu desejo de seguir ou parar. Não enfrentarei batalhas por ti se não estiveres ao meu lado, e jamais o carregarei nos ombros se não estiveres cansado ou derrotado das lutas que escolhestes lutar.

Sou o defensor do bom combate e algoz da futilidade. Me confundem com outros tantos, e essa confusão também é minha amiga. Através dela passo desapercebido, quieto, calado, rastejante em silêncio, buscando sombras ocultas que me especializei em acabar.

Há quantos de ti na tua própria casa? Quantos habitam a tua morada? Se não conhece tua própria essência, por que diabos questiona a minha? Posso ser muitos, e com muitos nomes, mas quando não há mais saída, mesmo sem me chamar por nome algum, lá estou eu para cumprir com honra os contratos que fiz, mas não o farei se o caminho não for de duas vias, uma minha e outra tua. Não o farei apenas por mim, nem mesmo apenas por ti. Se o fizer, farei por nós. A lei, o certo? Minha consciência há de mostrar.