Reflexão sobre criatividade e IA
Neooh levou ao Maximidia 2026 Gustavo Silva, chief sales officer, e Catarina Papa, cofundadora da Rito, para debater criatividade diante do avanço da inteligência artificial. A leitura que proponho não é apenas sobre o que foi dito, mas sobre o que essa conversa revela sobre o repertório humano em um momento em que a IA amplia o alcance da comunicação. A presença de uma empresa de out-of-home (OOH) com atuação em mais de 700 municípios, em todos os estados, com mais de 45 mil telas digitais e ativos em aeroportos, parques, terminais rodoviários, shoppings, academias e salas VIPs demonstra que a criatividade precisa atravessar cenários, formatos e públicos com maturidade e responsabilidade.
Essa observação aponta para uma verdade simples: criatividade no século 21 não é apenas gerar novidades tecnológicas. É, sobretudo, combinar saberes — imagens, dados, histórias e contextos — para entregar mensagens com propósito, precisão e empatia, mesmo quando operadas por algoritmos. Quando a IA funciona como amplificador de repertório, o papel humano não se torna menos relevante; ele se torna mais essencial, pois é o fio que conecta o insight ao comportamento do público.
Em termos práticos, marcas, agências e lideranças podem estruturar a criatividade como um ativo de longo prazo:
- Criativa: a capacidade de moldar a realidade por meio da expressão, da linguagem simbólica e de narrativas que tocam o corpo e a memória.
- Rica: o conteúdo se apoia em dados, contextos e diversidade de perspectivas, evitando clichês e ruídos.
- Surpreendente: a IA oferece caminhos inesperados; o desafio é filtrar, selecionar e lapidar o que faz sentido para a audiência.
- Próspera: transformar conhecimento em valor tangível, sem abrir mão de ética ou cuidado com o ecossistema.
A expressão que se comunica bem não apenas vende; ela transforma hábitos, decisões e, por consequência, resultados financeiros com responsabilidade.
Essa leitura pode ser ainda mais rica quando pensamos nas dimensões da comunicação — do diálogo interno que orienta a decisão criativa, à relação com o público, à expressividade do corpo e da voz, ao ritmo da comunicação de massa, e ao atendimento ao contexto local sem perder a visão universal. Quando a mensagem é verdadeiramente holística, o branding deixa de ser apenas uma função estratégica e passa a guiar cultura, liderança e prosperidade.
Por fim, a lição é simples: a IA deve ser parceira do repertório humano bem treinado, não sua substituta. A criatividade que prospera é aquela que respeita o tempo de cada público, dialoga com a tecnologia sem perder a essência humana e transforma dados em significado duradouro.
E você, que repertório está nutrindo hoje para que a IA amplifique, e não ofusque, a sua proposta de valor?